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Guia de cultivo

Cereus jamacaru (mandacaru)

Cereus jamacaru

O mandacaru é o cacto colunar símbolo da Caatinga. Veja como cultivar em vaso ou no chão, quanto sol e água ele precisa, a flor noturna e como fazer muda.

Atualizado em

Cuidados em resumo

Luz
Sol pleno, o máximo possível
Rega
Pouca água; aguenta longos períodos de seca
Substrato
Arenoso, mineral e muito drenante
Temperatura
Gosta de calor; sofre com geada
Propagação
Estaca de haste ou sementes
Dificuldade
Fácil

Ficha da planta

Nome científico
Cereus jamacaru
Nomes populares
mandacaru, jamacaru
Família
Cactaceae
Gênero
Cereus
Origem
Brasil, com ocorrência marcante na Caatinga do Nordeste
Crescimento
Colunar e ramificado, com hastes eretas de várias costelas
Porte
Grande; no chão, pode passar de cinco metros com os anos
Toxicidade
Não é considerado tóxico, e o fruto é comestível. Os espinhos longos e rígidos ferem; manuseie com luvas grossas.

O mandacaru é o cacto mais conhecido do Brasil. Símbolo da Caatinga, ele aparece em música, em literatura e no imaginário do sertão como a planta que continua verde quando todo o resto secou. Nas regiões secas, é comum ouvir que o mandacaru florido na seca é sinal de chuva chegando.

Em casa ou no jardim, é um cacto fácil, rústico e de crescimento rápido para o grupo. Ele pede só três coisas: muito sol, pouca água e um solo que não segure umidade.

Mandacaru precisa de sol o dia todo

O mandacaru vive em pleno sol na natureza. Quanto mais luz ele recebe, mais firme, grosso e verde-azulado fica.

Na sombra, as hastes afinam e ficam mais claras na ponta. Esse afinamento não volta ao normal: a parte que cresceu fina continua assim, e a planta fica com “cintura”. Por isso, o mandacaru não é planta para dentro de casa. O lugar dele é quintal, varanda descoberta ou terraço.

Se a muda veio de loja ou viveiro com pouca luz, faça a aclimatação aos poucos. Cactos grandes também queimam quando passam direto da sombra ao sol forte, e a queimadura deixa marca permanente na haste. As regras gerais de exposição estão no guia de luz para suculentas.

Como regar o mandacaru

O mandacaru guarda água dentro das hastes e aguenta meses sem chuva. O maior risco para ele não é a seca, é o excesso de água.

  • Em vaso: regue bem quando o substrato estiver totalmente seco. No calor, isso pode dar uma rega a cada uma ou duas semanas. No inverno, bem menos.
  • No chão: depois de estabelecido, quase nunca precisa de rega, a não ser em secas muito longas no primeiro ano.
  • No frio: espace as regas ao máximo. Frio com substrato úmido é o cenário clássico de podridão na base.

As costelas funcionam como uma sanfona: ficam mais fundas quando a planta está com pouca água e se abrem quando ela bebe. Costelas bem fundas com substrato seco indicam sede. O teste do peso e do palito está no guia de rega de suculentas.

Substrato arenoso e vaso pesado

No sertão, o mandacaru cresce em solo raso, pedregoso ou arenoso. Em vaso, repita isso: pouca matéria orgânica e muito material mineral, como areia grossa lavada e pedrisco. Um bom ponto de partida está no guia de substrato para suculentas.

O vaso precisa de furo e de peso. Um mandacaru de um metro em vaso plástico leve tomba com o vento. Barro grosso e cimento são as melhores opções. Aumente o tamanho do vaso aos poucos, conforme a planta cresce.

No chão, escolha um ponto alto do terreno, longe de onde a água empoça. Em solo argiloso, faça um canteiro elevado com areia e pedra.

Plante longe de portões, calçadas e áreas onde crianças brincam. Os espinhos são longos e rígidos, e o mandacaru cresce mais do que parece quando é muda.

A flor noturna e o fruto do mandacaru

A flor do mandacaru é grande, branca e noturna. Ela abre ao anoitecer e fecha na manhã seguinte. Quem quer ver precisa ficar atento à noite.

A planta só floresce depois de alguns anos, quando já tem porte de adulta e recebe sol pleno. Mandacaru em vaso pequeno ou na meia-sombra raramente floresce.

Depois da flor vem o fruto, alongado, vermelho ou rosado por fora, com polpa branca e sementes pretas pequenas. Ele é comestível e muito procurado por pássaros. Na Caatinga, o mandacaru também é usado para alimentar o gado nas secas, depois que os espinhos são queimados.

Como fazer muda de mandacaru

A forma mais rápida é por estaca de haste:

  1. Corte um pedaço de haste com faca ou serrote limpo, de preferência na primavera ou no verão. Use luvas grossas e segure a haste com jornal dobrado.
  2. Deixe o corte secar à sombra por uma a três semanas, até formar uma casca firme. Em estacas grossas, esse tempo de cicatrização é o que evita o apodrecimento.
  3. Enterre só a base, alguns centímetros, em substrato arenoso seco. Apoie com pedras ou um tutor.
  4. Espere cerca de duas semanas para a primeira rega leve.

Por semente, também funciona. As sementes do fruto maduro germinam bem em substrato arenoso úmido e quente, mas a muda leva anos para ganhar porte. Os dois métodos estão detalhados no guia de propagação.

Mandacaru, Cereus repandus e facheiro

No comércio, o nome “mandacaru” é usado para vários cactos colunares. O mais confundido é o Cereus repandus, do mesmo gênero, muito vendido como cacto ornamental. O mandacaru costuma ter espinhos mais longos e amarelados.

Outro nativo parecido é o facheiro-azul (Pilosocereus pachycladus), que tem cor azul mais intensa e pelos brancos nas aréolas perto do topo. Quem gosta de cactos da Caatinga também pode conhecer a coroa-de-frade e o quipá.

Base mole, manchas e haste afinando

Base escura e mole: podridão por excesso de água ou frio úmido. Corte acima da parte afetada, até chegar ao tecido firme e claro, e trate o topo como estaca.

Manchas bege ou esbranquiçadas no lado do sol: queimadura por exposição brusca. Não some, mas para de aumentar quando a planta se acostuma.

Ponta afinando: falta de luz. Leve para um local com mais sol.

Casca marrom e dura na base de plantas velhas: é normal. A base do mandacaru adulto fica lenhosa com o tempo.

Tufos brancos entre os espinhos: pode ser cochonilha, comum em cactos colunares plantados muito juntos.

Frio, geada e cultivo no Sul

O mandacaru gosta de calor e se adapta muito bem ao clima do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sudeste. Em regiões com geada, as pontas novas podem queimar. Se você mora no Sul, prefira o cultivo em vaso, que pode ser levado para um lugar coberto nas noites mais frias, e mantenha o substrato seco durante todo o inverno. O guia de suculentas no inverno traz os outros cuidados da estação fria.

Perguntas frequentes

Dá para plantar mandacaru em vaso?

Dá, e ele vive bem em vaso por muitos anos. O crescimento fica mais contido do que no chão. Use vaso pesado e largo, de barro ou cimento, para a planta não tombar quando crescer.

O fruto do mandacaru é comestível?

Sim. O fruto do mandacaru é vermelho ou rosado por fora, com polpa branca e sementes pretas pequenas. Ele é consumido tradicionalmente no Nordeste e também serve de alimento para aves e outros animais da Caatinga.

Quando o mandacaru dá flor?

O mandacaru floresce quando já tem alguns anos e tamanho de planta adulta, principalmente na estação quente. A flor é grande e branca, abre à noite e fecha na manhã seguinte.

Quanto tempo o mandacaru leva para crescer?

Para um cacto, o mandacaru cresce rápido: com sol pleno e calor, pode ganhar algumas dezenas de centímetros por ano. Em vaso pequeno, na sombra ou no frio, o crescimento é bem mais lento.

Qual a diferença entre mandacaru e Cereus repandus?

São parentes do mesmo gênero e parecidos no porte colunar. O mandacaru é nativo do Brasil e costuma ter espinhos mais longos e amarelados. O Cereus repandus é muito vendido como cacto ornamental, e as duas plantas são frequentemente confundidas no comércio.

O mandacaru aguenta frio?

Aguenta frio leve e seco por pouco tempo, mas sofre com geada e com frio úmido prolongado. No Sul do Brasil, prefira vaso que possa ser protegido nas noites mais frias.

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